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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Beta-caroteno e seu poder antioxidante

O beta-caroteno pode ser uma extraordinária força para o sistema imunológico no combate ao câncer e aos radicais livres. Estudos relataram que portadores de câncer no pulmão, estômago, esôfago, intestino e útero possuem baixo nível de beta-caroteno no sangue.
Essa substância pode ser encontrada nas plantas de folhas verde-escuro e laranja escuro. Alguns exemplos: cenoura, batata-doce, couve, rúcula, espinafre, brócolis, damasco, abóbora, manga, mamão, laranja, entre outros. O cozimento rápido dos legumes não destrói o beta-caroteno.

FONTE: BIAZZI, ELIZA. O Maravilhoso Poder das plantas. 18ed. São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2004.

sábado, 4 de agosto de 2012

Esclarecimentos sobre produtos orgânicos - Dra Elaine Azevedo

Sou adepta dos produtos orgânicos e acredito muito nos seus benefícios para a nossa saúde e para a saúde do meio ambiente.
Coloco aqui a entrevista da Dra. Elaine Azevedo, nutricionista  e com pós doutorado em saúde pública. Ela foi minha professora na graduação de Naturologia Aplicada da Unisul e suas aulas eram sempre esclarecedoras e inspiradoras.


Espero que essa entrevista possa despertar a consciência de muitas outras pessoas para a importância do consumo dos orgânicos.

Entrevista retirada do site: http://www.bioeorganicos.com.br/#

"Referência quando se trata de alimentos orgânicos e nutrição, dra. Elaine de Azevedo esclarece, nesta entrevista, muitas dúvidas básicas de quem opta por consumir orgânicos e busca argumentos científicos e bem embasados para isto. Alimentos orgânicos são, afinal, mais nutritivos do que os convencionais? Quais os riscos de ingerir doses mínimas de resíduos de agrotóxicos diariamente, mesmo que tais doses estejam dentro dos padrões permitidos pela Anvisa? Qual a funcionalidade dos alimentos orgânicos? Adianta lavar alimentos com resíduos de agrotóxicos?

Esta e outras dúvidas dra. Elaine, formada nutricionista pela UFPR, com mestrado em agroecossistemas e doutorado em sociologia política pela UFSC, além de pós-doutorado em saúde pública pela USP, responde com clareza. Seu interesse pelos orgânicos parte da premissa de que o conceito de alimento saudável deve ser expandido em toda rede de produção: saudável para as plantas e animais, para quem produz, para o meio ambiente, para quem consome. O início de sua formação começou com um curso de aperfeiçoamento em medicina antroposófica, que dá prioridade ao consumo de alimentos biodinâmicos. Em estágios realizados em clínicas e hospitais antroposóficos na Alemanha, Áustria e Suíça, conheceu o movimento ambientalista europeu, que acolhia a discussão sobre o impacto da agropecuária sobre a saúde e meio ambiente.
 
Desde que voltou ao Brasil, em 1991, vem se dedicando a divulgar os benefícios dos alimentos orgânicos entre o público leigo e os especialistas. Hoje, dedica-se a ministrar palestras e cursos sobre consumo sustentável, riscos ambientais e sistema agroalimentar, qualidade do alimento orgânico e agricultura e saúde coletiva em diversas instituições e eventos em todo o Brasil. Atualmente é professora na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Grande Dourados, em Mato Grosso do Sul e é diretora de Conteúdo do Portal Orgânico.
Outra novidade é que seu livro, um dos mais consistentes compêndios sobre alimentos orgânicos já publicados em língua portuguesa, "Alimentos Orgânicos", deverá ser reeditado ainda neste semestre pela Editora Senac. Vamos às dúvidas. E aos fatos. 

PORTAL ORGÂNICO: Os alimentos orgânicos são mais nutritivos do que os convencionais?
DRA. ELAINE: Primeiro de tudo é bom lembrar que existem vários aspectos de qualidade do alimento orgânico. O valor nutricional é um deles. Mas existem outros, como toxicidade, que é o principal diferencial, durabilidade e características sensoriais, como sabor, cor e textura. Podemos dizer que, a princípio, os orgânicos não têm maior valor nutricional, e sim melhor valor nutricional.

PORTAL ORGÂNICO: Por quê?
DRA. ELAINE: Vamos fazer uma relação com o ser humano. Quando comemos demais, não quer dizer que estejamos bem nutridos. Ao contrário. Pode surgir uma tendência à obesidade. E, se comemos pouco e mal, ficamos desnutridos. O ideal, então, é termos a qualidade e a quantidade de nutrientes adequada para a nossa espécie. Nas plantas é a mesma coisa. O solo deve fornecer o necessário, não o excesso. Um solo saudável, enriquecido com adubos orgânicos, é rico em muitos tipos de minerais. Os vegetais cultivados convencionalmente, à base de fertilizantes sintéticos – compostos unicamente de grandes quantidades de nitrogênio, fósforo e potássio de alta solubilidade, o adubo NPK –, acabam absorvendo grandes quantidades de nitrogênio do solo. Por isso, formam mais proteína, mas também mais nitrogênio livre, criando um desequilíbrio interno na planta. Esses vegetais que têm nitrogênio em excesso atraem mais pragas e por consequência tem-se que usar mais agrotóxicos para combatê-las. Ou seja, ter mais proteína não significa necessariamente ser um alimento mais saudável. Já a planta cultivada organicamente recebe e absorve somente os nutrientes de que precisa e tem um equilíbrio no valor nutritivo em geral. Não me refiro especificamente a carboidratos, lipídios e proteínas, que, tanto nos alimentos orgânicos quanto nos convencionais, são formados pela ação da luz solar, pela fotossíntese. Nisso eles podem ser muito semelhantes. Aliás, não são esperadas grandes diferenças de valor nutritivo entre orgânicos e convencionais.

PORTAL ORGÂNICO: Então o que diferencia o alimento orgânico do convencional em termos nutricionais, afinal?
DRA. ELAINE: É a qualidade do solo. Há pesquisas realizadas com alguns alimentos vegetais que comprovam a superioridade de minerais dos orgânicos. São poucas pesquisas ainda, mas nelas se provou que é no teor de mineral que o alimento orgânico pode se diferenciar do convencional. E existem estudos que mostram que o teor dos minerais nos alimentos diminuiu muito por causa dos métodos da agricultura convencional. Por isso os especialistas receitam cada vez mais suplementos sintéticos. Os solos estão pobres; os alimentos produzidos neles também.

PORTAL ORGÂNICO: Além do equilíbrio mineral, há mais alguma diferenciação entre o orgânico e o convencional?
DRA. ELAINE: Sim. Também é comprovado por meio de pesquisas que os alimentos orgânicos têm maior teor de fitoquímicos, substâncias como isoflavona, sulforaceno e licopeno, foco da nutrição funcional. No tomate orgânico, por exemplo, há maior teor de licopeno. Essas substâncias têm diferentes funções no organismo e na planta elas funcionam como um sistema de defesa; ou seja, o sistema imunológico da planta produz fitoquímicos. Os vegetais orgânicos têm que desenvolver um sistema de defesa mais eficiente porque não recebem o agrotóxico que controla as doenças. Novamente, comparando com o organismo humano, se o corpo está bem nutrido (como uma planta orgânica), ele tem um sistema de defesa que produz anticorpos de forma mais eficiente. A planta produz fitoquímicos. E, no caso de alimentos de origem animal, os orgânicos têm, comprovadamente, gordura de melhor qualidade, porque os animais criados organicamente têm a possibilidade de caminhar, ciscar, se movimentar. Aí também comparo conosco: quando fazemos exercícios regularmente, temos gordura corporal de melhor qualidade. Há várias pesquisas que comprovam que os alimentos orgânicos de origem animal (carnes, leites, ovos) têm taxas iguais de ômegas 3 e 6, maior teor de ácidos graxos insaturados e menores teores de ácidos graxos saturados. É bom ressaltar que o teor de gordura de proteína animal orgânica não é maior nem menor. É melhor.

PORTAL ORGÂNICO: São gorduras melhores para o nosso organismo absorver, é isso?
DRA. ELAINE AZEVEDO: A gordura insaturada eleva o nível de lipoproteína de alta densidade no sangue (HDL ou “colesterol bom”) e reduz o nível de lipoproteína de baixa densidade no sangue (LDL, ou “colesterol ruim”). Quando citei a relação entre ômegas 3 e 6, que é de um para um, isso indica também que a gordura é de melhor qualidade. A relação de equilíbrio entre os dois tipos de ácido linoléico (3 e 6) ajuda a evitar os problemas associados ao consumo excessivo de ômega 6 na dieta. Entre tais problemas estão as doenças cardíacas; a arteriosclerose; alguns tipos de câncer; hipertensão; colite e alguma doenças ósseas São assuntos bastante técnicos e o mais fácil é dizer: são alimentos que apresentam gordura de melhor qualidade, uma vez que o animal se exercita.

PORTAL ORGÂNICO: Há pesquisas que comprovam efetivamente tudo isso?
DRA. ELAINE AZEVEDO: Sim. Há várias que demonstram o teor aumentado de fitoquímicos e a qualidade da gordura animal. Em alguns vegetas pesquisados também foi comprovado o maior equilíbrio de minerais. No teor de proteínas, carboidratos e lipídios, porém, se fala em controvérsias na pesquisa. É uma controvérsia que, na verdade, não vai se diluir, porque não se esperam diferenças entre orgânicos e convencionais no quesito valor nutricional. E é um aspecto difícil de pesquisar. O simples transporte do alimento, a quantidade de luz solar ou água que a planta recebe já mudam o valor nutricional, então é um aspecto que precisa ter muito controle para a realização de estudos comparativos. Mas de qualquer maneira não é sob esse aspecto que se pode dizer: ah, é aí que os orgânicos se destacam. Não é por aí. Eu insisto que o valor nutricional não é o aspecto mais importante para definir a qualidade de um alimento. É muito reducionista.

PORTAL ORGÂNICO: O fato de alguns alimentos orgânicos serem mais caros em alguns casos não seria neutralizado então pelo maior benefício que eles proporcionam à saúde?
DRA. ELAINE AZEVEDO: Bem, você já respondeu. Digamos, porém, que este valor mais caro é algo relativo, já que os orgânicos efetivamente proporcionam maior benefício à saúde. Não só à saúde humana, mas também à saúde do meio ambiente, que, por tabela, também acaba refletindo na saúde humana. Então esse adicional de preço justo – que deve ser justo, e não 100% a mais, ou um preço especulativo – já implica tratar-se de alimento de melhor qualidade. Todo e qualquer produto melhor custa mais. Então a própria lei do mercado está implícita no alimento também. O produto orgânico é mais caro porque tem melhor qualidade. Mas, repito, não pode ser um preço abusivamente mais caro que torne o alimento elitizado. Pensando de outro modo: no caso dos alimentos convencionais, que são mais “baratos”: qual o real valor de um alimento barato que promove exclusão social do agricultor familiar, causa doenças e ainda degrada o meio ambiente? Que barato é este? É preciso pensar de forma sustentável a médio e longo prazos.

PORTAL ORGÂNICO: Quais os riscos de diariamente ingerirmos resíduos de agrotóxicos, mesmo que eles estejam dentro dos padrões da Anvisa? Não há o risco de acumulação no organismo, pois se diariamente ingerimos a dose recomendada em vários produtos, não teríamos no fim uma grande quantidade de resíduos ingerida?
DRA. ELAINE: Então, esta é uma pergunta difícil de responder. E explico por quê: os efeitos dos agrotóxicos são cumulativos. Aliás, todo problema relacionado à alimentação tem esse efeito. Mas não há como comprovar, literalmente, se o câncer que determinada pessoa teve depois de 30 anos consumindo alimentos convencionais está relacionado ao agrotóxico. Há estudos que mostram a relação de vários tipos de câncer com alguns agrotóxicos e, mais recentemente, detectou-se a relação entre o Mal de Parkinson e agrotóxicos na França. Mas todas essas doenças são multicausais. Não é só o agrotóxico que causa o câncer. E é justamente a multicausalidade das doenças que torna extremamente difícil a gente dizer qual é a dose inócua para o organismo. Não dá para dizer: qual é a dose certa do veneno?  Veneno é veneno. Se você usar pouco, com certeza o efeito vai ser mais de longo prazo. É aquela história: se você fumar pouco, continua sendo maléfico, mas você vai ter o efeito a mais longo prazo do que se fumar muito. Se alguém bebe o agrotóxico, morre. Se usa um pouquinho ao longo da vida, poderá ter uma doença crônica, não aguda. Mas continua a ingerir veneno e as consequências disso vão aparecer um dia. Outra coisa é que a “quantidade certa” de ingestão de agrotóxicos também não existe. É veneno. Vai ter repercussão em alguma instância. Mas nós não estamos ingerindo a quantidade certa. Estamos ingerindo mais, daí é difícil calcular riscos.

PORTAL ORGÂNICO: Então estamos ingerindo em excesso?
DRA. ELAINE: Claro. A gente nunca ingeriu na quantidade certa, tanto é que a Anvisa tem mostrado os alimentos que estão fora dos padrões. E, além disso, consumimos venenos já proibidos em outros países. É um abuso.

PORTAL ORGÂNICO: Mas boa parte das irregularidades detectadas na Anvisa era referente a uso não permitido de agrotóxicos em determinadas culturas, e não necessariamente ao excesso de limites.
DRA. ELAINE AZEVEDO: Esse é outro problema que enfrentamos. Entretanto, olha só: estou agora acabando de redigir uma pesquisa com alguns produtores de Dourados (MS), onde eu dou aulas na universidade. E os grandes produtores acham simplesmente que, se usar a dose certa, recomendada, não tem problema. Isso é recorrente. Mas essa realidade, efetivamente, nós não conhecemos.

PORTAL ORGÂNICO: Você acha então que o agricultor utiliza acima da dose certa?
DRA. ELAINE AZEVEDO: Sim. Especialmente o pequeno agricultor, aquele que produz alimentos para nosso consumo. Não se sabe, porém, nem se o uso na dosagem certa seja melhor ou inócuo. Assim como também não temos ainda estudos conclusivos que mostram que há mais câncer no Brasil por causa de agrotóxicos. Em algumas regiões de uso intensivo de agrotóxicos, como a região do fumo, por exemplo, há maior índice de suicídios e depressão relacionados ao uso de agrotóxicos do que em regiões onde não se cultiva fumo. Essa falta de conclusões científicas é que permite que se continue usando. Para nos deixar ainda mais intranquilos, nos países com maior controle do uso e quantidade de agrotóxicos também aparecem estudos e repercussões dos seus efeitos, como a França e a Inglaterra. Ali também existem preocupações relacionadas ao uso de agrotóxicos, inclusive doenças não ocupacionais, ou seja, aquelas não ligadas diretamente a quem trabalha com agrotóxicos. Há várias pesquisas no meu livro, que mostram os efeitos do uso de agrotóxicos nas populações no entorno de áreas de uso intensivo de veneno. E também nas populações em geral. Aqui, no Brasil, começamos recentemente a nos preocupar com o controle de agrotóxicos e órgãos como a Anvisa e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) começam a se mobilizar mais efetivamente. Estamos ainda dentro do critério de risco e não de perigo. Explico: perigo a gente conhece a causa (com pesquisas provando, como o perigo do fumo); risco a gente não pode provar, como os agrotóxicos. Estamos bem dentro deste critério de risco para discutir agrotóxicos. São várias conjecturas e várias questões que se entrelaçam para chegarmos ao nível de formularmos um possível perigo.

PORTAL ORGÂNICO: Como está a pesquisa ligada à nutrição e agrotóxicos no Brasil?
DRA. ELAINE AZEVEDO: A área da saúde coletiva tem se preocupado mais e existe preocupação cada vez maior na relação de doenças e agrotóxicos. Na área da nutrição a pesquisa é quase inexistente. Poucos nutricionistas e médicos incorporaram o conceito orgânico no contexto de qualidade alimentar. Quem tem o interesse de apoiar essas pesquisas? A Abrasco acabou de lançar um dossiê sinalizando a escassez de pesquisas na área.

PORTAL ORGÂNICO: Há maneiras de eliminar os resíduos de agrotóxicos nos alimentos?
DRA. ELAINE AZEVEDO: Não, eliminar não. A grande maioria dos agrotóxicos é metabolizada até a semente. Então, o que você tira na lavagem é o excesso da casca. Pode retirar utilizando uma escovinha e tal, mas só retira o excesso, e não o agrotóxico metabolizado pela planta. Não tem como retirar. Ele não fica só na casca. O que você retira na higienização é o excesso. E eu sou contra tirar a casca de um alimento – fonte de fibras e nutrientes – porque temos que diminuir o veneno. Tem que ser orgânico, tem que ser sem veneno.

PORTAL ORGÂNICO: Nem com o agricultor respeitando as carências exigidas pelo fabricante antes de vender o alimento? O agrotóxico não se degradaria naturalmente até o prazo de consumir o produto?
DRA. ELAINE: Não, pois, cumprindo a carência, o que se faz é diminuir exatamente a alta periculosidade do alimento. Se alguém consumir um alimento cuja carência ainda não tenha vencido, esta pessoa estará justamente consumindo veneno em excesso, numa quantidade bem maior do que a recomendada. Agora, pensa bem: a planta metaboliza o veneno, “degrada” e vai para onde? Para algum lugar o agrotóxico tem de ir. É comum um agricultor dizer: “A terra anula o veneno”. Ou seja, ela absorve ou ele evapora. Ou fica na terra, no lençol freático, ou volta como chuva ácida. Um efeito tóxico não se anula. Não tem como sumir.

PORTAL ORGÂNICO: Há diferença de sabor entre o alimento orgânico e o convencional?
DRA. ELAINE: Sim, há diferença. Os mais sensíveis percebem o gosto do veneno em alguns alimentos convencionais. Mas só posso dizer que os orgânicos têm sabor (e também cor, textura, odor) original. Se o sabor é melhor ou pior, é uma questão individual. Por exemplo, tem gente que não gosta de leite orgânico, que lembra “vaca”. Que prefere leite longa vida, industrializado com um sabor que remete ao chocolate; ou questiona a galinha orgânica, caipira, que tem um sabor “mais forte”. Dá para dizer que é melhor? Não. Dá para dizer que é um sabor original do alimento. Agora, existem pesquisas em vegetais que mostram que cenouras e maçãs são mais adocicadas, com maior teor de açúcares. Outro exemplo, a cor amarela intensa do ovo orgânico pode gerar nojo em algumas pessoas, que podem preferir um ovo mais esbranquiçado. Características sensoriais do alimento orgânico é uma questão bem subjetiva. Mas os sabores são diferenciados e por isso os chefs têm preferido os orgânicos.

PORTAL ORGÂNICO: Quais os benefícios de consumir orgânicos?
DRA. ELAINE: Bem, quase todos os benefícios têm a ver com a saúde. O primeiro é que você vai ter alimentos com menor toxicidade e menos resíduos de contaminantes (não só agrotóxicos, mas também adubos, aditivos, drogas veterinárias), que duram mais e que têm um valor nutricional equilibrado e características sensoriais originais. Existe outro aspecto, que é o ambiental. Ao consumir orgânicos, você está preservando a saúde do meio ambiente, que afeta a sua saúde. Quando você compra orgânicos, cuida da qualidade do seu ar, da sua água, da sua terra. Não é o meio ambiente lá fora. É a sua saúde via meio ambiente, porque não dá pra ser saudável respirando um ar poluído e bebendo água contaminada. Porque eu falo isso? Porque as pessoas conseguem pensar o meio ambiente muito fora de si mesmas. Mas o cuidado com o meio ambiente deve começar com seu corpo, sua primeira casa. Hoje o agricultor é o cara que detona ou cuida do seu meio ambiente. Do seu ar, da sua água, da sua qualidade de vida. O terceiro aspecto é que a agricultura orgânica é quase sempre feita por agricultores familiares. Ao consumir orgânicos, você apoia essa forma de agricultura, que é o sistema que produz seu alimento. Não é o agronegócio que produz o que você come no Brasil. Ele produz para exportar. Se você não apoia o pequeno agricultor porque acha que não tem nada a ver com ele, pense pelo menos individualmente: de onde virá sua comida? Se eu ajudo o agricultor a ficar no meio rural, tenho a longo prazo uma cidade de melhor qualidade, com menos desemprego, menos violência, e isso interfere na nossa saúde, que é a saúde social. O que eu gosto muito de enfatizar é que o alimento orgânico tem três âmbitos, que é o da saúde humana, social e ambiental e todos eles têm uma íntima relação com a saúde do indivíduo. Essa é uma forma de pensar saúde de um modo amplo e não reducionista. Comer é um dos atos mais complexos que a gente faz cotidianamente."